Envelhecer bem é preservar identidade, autonomia e a liberdade de escolher como se sentir e se reconhecer.
Não é sobre parecer mais jovem: a nova beleza das mulheres de 60, 70 e 80 anos
Existe uma geração de mulheres chegando aos 60, 70 e até 80 anos de uma maneira muito diferente daquela que víamos algumas décadas atrás.
Elas trabalham, viajam, praticam exercícios, cuidam da saúde, começam novos projetos, mantêm uma vida social ativa e, muitas vezes, continuam fazendo planos para os próximos 10, 20 ou 30 anos.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes mudanças na forma como pensamos o envelhecimento.
Viver mais deixou de ser suficiente. Queremos viver mais e viver bem.
O envelhecimento saudável não significa simplesmente ausência de doenças. Significa preservar autonomia, mobilidade, relacionamentos, capacidade de tomar decisões e continuar fazendo aquilo que é importante para cada pessoa.
Essa mudança também aparece dentro do consultório.
Cada vez mais recebo mulheres maduras que não chegam dizendo:
“Doutor, eu quero parecer ter 40 anos.”
O que elas frequentemente procuram é algo muito mais interessante:
“Eu me sinto tão bem, tão ativa, mas parece que o meu rosto não acompanha mais a maneira como eu me sinto.”
E essa diferença merece ser compreendida.
A mulher de 60 anos de hoje não é a mulher de 60 anos de algumas décadas atrás
Estamos vivendo mais.
Mas, talvez mais importante do que isso, estamos vivendo de outra maneira.
Hoje encontramos mulheres aos 60, 70 e até 80 anos extremamente ativas, independentes, viajando, praticando atividade física, convivendo com amigos e familiares, trabalhando e iniciando novos projetos.
A idade cronológica continua existindo, naturalmente.
O organismo muda.
A pele muda.
Os tecidos mudam.
Nosso metabolismo muda.
Mas pessoas da mesma idade podem apresentar condições completamente diferentes.
Há pessoas aos 70 ou 80 anos com excelente capacidade física, autonomia e disposição, enquanto outras, mais jovens, podem apresentar limitações importantes.
Por isso, olhar apenas para o número escrito na carteira de identidade talvez seja uma das maneiras mais pobres de compreender o envelhecimento.
Existe uma diferença entre a idade que temos e a maneira como nos sentimos
Esse é um fenômeno que observo com frequência na minha prática.
A paciente entra no consultório, conversamos sobre sua rotina e descubro uma mulher que trabalha, viaja, pratica atividade física, cuida dos netos, encontra amigos e começa novos projetos.
Às vezes, está vivendo uma fase de enorme liberdade.
E então ela me diz:
“Por dentro eu não me sinto com essa idade.”
Não considero essa frase uma negação do envelhecimento.
Muito pelo contrário.
Pode ser simplesmente a percepção de que envelhecer não significa necessariamente perder curiosidade, desejo, projetos ou identidade.
Talvez uma das conquistas mais interessantes da longevidade seja justamente esta:
poder envelhecer sem precisar desaparecer.
Beleza madura não deveria signific tentar voltar no tempo
Durante muito tempo, a estética esteve excessivamente associada à juventude.
Como se envelhecer fosse algo que precisasse ser combatido.
Eu não acredito nessa visão.
Uma mulher de 70 anos não precisa parecer ter 40.
Da mesma forma, um procedimento bem indicado não deveria tentar apagar décadas da história de uma pessoa.
Rugas, expressões e características faciais fazem parte de quem somos.
Por isso, existe uma diferença importante entre tentar parecer outra pessoa e continuar se reconhecendo no espelho.
Essa diferença muda completamente a maneira como pensamos a cirurgia plástica na maturidade.
Talvez a palavra mais importante seja coerência
Quando converso com uma paciente sobre rejuvenescimento facial, gosto de pensar menos em idade e mais em coerência.
Coerência entre a maneira como ela se sente, sua saúde, sua personalidade, sua anatomia, sua expectativa e aquilo que vê no espelho.
O objetivo não deveria ser criar um rosto artificialmente jovem.
Deveria ser procurar uma versão mais descansada, harmônica e natural da própria pessoa.
Existe uma frase que traduz muito bem o que muitas pacientes desejam:
“Não quero que percebam que fiz uma cirurgia. Quero que percebam que estou bem.”
Para mim, esse é um princípio muito mais interessante de rejuvenescimento.
O envelhecimento do rosto acontece em diferentes planos
Outro ponto importante é compreender que o envelhecimento facial não acontece apenas na pele.
Com o passar dos anos, ocorrem alterações em diferentes estruturas da face, incluindo pele, gordura facial, ligamentos de sustentação, músculos e até estruturas ósseas.
Por isso, não existe um único tratamento capaz de resolver todas as alterações relacionadas ao envelhecimento.
E é também por isso que uma boa avaliação facial precisa ser individualizada.
Em algumas pessoas, a principal queixa está nas pálpebras.
Em outras, na região cervical.
Em algumas, existe maior queda dos tecidos da face.
E existem pacientes para quem uma cirurgia sequer é necessária.
A boa medicina começa justamente sabendo diferenciar essas situações.
Blefaroplastia depois dos 60 ou 70 anos: é possível?
Sim, em pacientes adequadamente selecionados.
A blefaroplastia pode tratar excesso de pele e outras alterações da região das pálpebras que surgem com o envelhecimento.
Mas existe algo particularmente importante nessa faixa etária: a avaliação não deve se limitar apenas à quantidade de pele.
Quando avalio uma pálpebra superior, por exemplo, considero pelo menos três aspectos:
posição da sobrancelha, excesso de pele e bolsas de gordura.
Além disso, saúde ocular, medicamentos utilizados, doenças associadas e condições gerais de saúde precisam fazer parte da avaliação.
A idade, isoladamente, não deveria ser o único critério utilizado para indicar ou contraindicar um procedimento.
E lifting facial aos 70 ou 80 anos?
Essa é outra pergunta frequente.
Não existe uma idade cronológica única que determine, sozinha, se alguém pode ou não realizar um lifting facial.
Existem pacientes de 65 anos que apresentam condições clínicas que tornam determinada cirurgia inadequada.
E existem pacientes com mais de 70 anos extremamente ativos e com ótima condição geral.
Isso nos leva a uma conclusão importante:
em cirurgia, mais importante do que perguntar apenas “qual é a sua idade?” é compreender “qual é a sua condição de saúde?”.
Segurança vem antes do rejuvenescimento
Esse ponto é fundamental.
A possibilidade técnica de realizar determinada cirurgia nunca deveria ser confundida com indicação.
Antes de indicar um procedimento em uma paciente mais madura, precisamos avaliar cuidadosamente fatores como:
condição cardiovascular;
pressão arterial;
diabetes e outras doenças associadas;
tabagismo;
medicamentos de uso contínuo;
anticoagulantes e antiagregantes;
exames pré-operatórios;
fragilidade;
histórico cirúrgico;
capacidade de recuperação;
rede de apoio no pós-operatório.
Dependendo do procedimento e da paciente, avaliações de outros especialistas também podem ser necessárias.
E existe ainda a estrutura onde essa cirurgia será realizada.
Eu considero importante que procedimentos cirúrgicos sejam realizados em ambiente adequado, com equipe médica, anestesista e estrutura preparada para oferecer segurança ao paciente.
Quanto maior a cirurgia, maior deve ser o compromisso com segurança.
O lifting facial também mudou
As técnicas de cirurgia facial evoluíram bastante.
Hoje compreendemos melhor que simplesmente “esticar a pele” não é uma boa estratégia de rejuvenescimento.
Técnicas contemporâneas procuram reposicionar estruturas mais profundas da face e devolver os tecidos a posições mais próximas de sua anatomia original.
Entre essas abordagens está o chamado Deep Plane Facelift, utilizado em pacientes selecionados.
Ao atuar em planos mais profundos, a proposta não é produzir uma face excessivamente tracionada, mas buscar um reposicionamento mais anatômico dos tecidos.
Mais uma vez, porém:
a técnica não deveria ser o ponto de partida.
O ponto de partida é sempre a paciente.
Sua anatomia.
Sua saúde.
Sua expectativa.
E aquilo que realmente a incomoda.
Naturalidade talvez seja o novo luxo da cirurgia plástica
Existe um movimento interessante acontecendo na cirurgia plástica.
Durante alguns anos, resultados muito evidentes chegaram a ser valorizados em determinadas áreas da estética.
Hoje percebo uma procura crescente pelo contrário.
As pessoas querem resultados que não pareçam produzidos.
Querem continuar parecendo elas mesmas.
Isso é particularmente importante na cirurgia da face.
Um rosto carrega identidade.
Uma maneira particular de sorrir.
Expressões.
História.
Por isso, considero que um bom rejuvenescimento facial deveria preservar essas características.
Não se trata de criar uma nova pessoa.
Trata-se de preservar identidade enquanto tratamos algumas consequências do envelhecimento.
Envelhecer bem também significa poder escolher não fazer nada
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes deste texto.
Nenhuma mulher precisa realizar procedimentos estéticos porque completou 60, 70 ou 80 anos.
Envelhecer não é uma doença.
Rugas não são uma doença.
Flacidez não é uma doença.
A decisão de realizar qualquer tratamento estético deve partir de uma vontade genuína da própria pessoa, nunca da pressão social para parecer mais jovem.
Algumas mulheres encontrarão bem-estar fazendo uma cirurgia.
Outras encontrarão exatamente o mesmo bem-estar não fazendo procedimento algum.
As duas decisões são legítimas.
A medicina entra quando existe desejo
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