Blefaroplastia é a cirurgia estética mais realizada no mundo: o que explica essa procura?


Entenda o que explica a popularidade da blefaroplastia e por que cada indicação deve considerar o olhar como um todo.

Blefaroplastia é a cirurgia estética mais realizada no mundo: o que explica essa procura?

Uma mudança importante apareceu nas novas estatísticas internacionais de cirurgia plástica.

Segundo o Global Survey 2025 da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), foram realizadas mais de 2,4 milhões de blefaroplastias no mundo em 2025, colocando a cirurgia das pálpebras na liderança entre os procedimentos cirúrgicos estéticos.

Outro dado chama particularmente a atenção: a blefaroplastia aparece como a cirurgia estética mais realizada tanto entre mulheres quanto entre homens.

Mas o que pode estar por trás de uma procura tão grande pela cirurgia do olhar?

E, principalmente: quando alguém percebe que seu olhar parece mais cansado ou envelhecido, o problema está realmente nas pálpebras?

Essa segunda pergunta é, para mim, a mais importante.

O envelhecimento do olhar não acontece apenas nas pálpebras

Quando avalio um paciente interessado em blefaroplastia, procuro inicialmente observar três fatores fundamentais:

1. A posição das sobrancelhas
2. O excesso de pele das pálpebras
3. A presença e distribuição das bolsas palpebrais

Esses fatores podem aparecer isoladamente ou em conjunto.

Isso é importante porque aquilo que uma pessoa percebe no espelho como uma “pálpebra caída” nem sempre é causado exclusivamente pelo excesso de pele.

A posição da sobrancelha, por exemplo, interfere diretamente na quantidade de tecido que observamos sobre a pálpebra superior. Com o envelhecimento, ela pode apresentar mudanças de posição e contribuir para uma aparência de maior peso sobre os olhos.

Se analisarmos apenas a pele da pálpebra e ignorarmos a sobrancelha, podemos estar tratando apenas uma parte do problema.

Por isso, uma boa avaliação da blefaroplastia começa antes das pálpebras: começa pela análise do olhar como um todo.

Blefaroplastia superior e inferior tratam problemas diferentes

Embora utilizemos o termo “blefaroplastia” de maneira geral, a cirurgia das pálpebras superiores e a das inferiores podem ter objetivos bastante diferentes.

Na blefaroplastia superior, uma das alterações mais frequentes é o excesso de pele da pálpebra superior. Dependendo da anatomia e da intensidade dessa alteração, ela pode causar sensação de peso e, em situações mais acentuadas, até interferir funcionalmente no campo visual.

Mas nem todo excesso aparente de pele deve ser analisado isoladamente. Novamente, a posição da sobrancelha precisa fazer parte dessa avaliação.

Na blefaroplastia inferior, a análise costuma envolver outros elementos, como bolsas de gordura, excesso ou flacidez da pele e características da própria pálpebra inferior.

Existem diferentes possibilidades técnicas para abordar essas alterações, e a escolha depende da anatomia e das necessidades de cada paciente.

É por isso que duas pessoas da mesma idade, com uma queixa aparentemente semelhante, podem precisar de planejamentos completamente diferentes.

E as bolsas embaixo dos olhos?

As chamadas “bolsas” são uma das principais razões pelas quais pacientes procuram avaliação das pálpebras inferiores.

Elas podem contribuir para uma aparência de cansaço mesmo quando a pessoa está descansada.

Mas é importante entender que a região abaixo dos olhos é anatomicamente complexa.

Não se trata simplesmente de “retirar gordura”.

Dependendo do paciente, precisamos avaliar a quantidade e a posição das bolsas, a qualidade da pele, a sustentação da pálpebra inferior e a transição entre a pálpebra e a região da face logo abaixo dos olhos.

Em cirurgia plástica, muitas vezes preservar, reposicionar e equilibrar estruturas pode ser tão importante quanto retirar alguma coisa.

Blefaroplastia não trata tudo ao redor dos olhos

Esse é um ponto importante para estabelecer expectativas realistas.

A blefaroplastia não deve ser apresentada como uma solução para todas as alterações da região dos olhos.

Rugas laterais — os conhecidos “pés de galinha” —, determinadas características das olheiras, alterações da qualidade da pele e a própria posição das sobrancelhas podem exigir outras abordagens ou simplesmente não serem corrigidas pela cirurgia das pálpebras.

Por isso, antes de perguntar “quanto de pele será retirado?”, talvez seja mais importante perguntar:

“O que realmente está causando a aparência que me incomoda?”

A resposta pode mudar completamente o planejamento.

Por que a blefaroplastia se tornou tão procurada?

O levantamento da ISAPS mostra o crescimento e a dimensão mundial da blefaroplastia, mas os números, isoladamente, não estabelecem uma única causa para essa mudança.

Existem algumas hipóteses que podem ajudar a compreender esse cenário.

Estamos vivendo mais e permanecendo social e profissionalmente ativos por mais tempo. Homens e mulheres também estão mais atentos às possibilidades de envelhecer preservando uma aparência saudável e natural.

Além disso, o olhar ocupa uma posição central na comunicação humana.

É pelos olhos que expressamos atenção, emoção, cansaço e muitas das nossas reações durante uma conversa.

Talvez isso ajude a explicar por que alterações nessa região podem incomodar mesmo pessoas que não desejam modificar outras características da face.

Mas existe uma diferença importante entre compreender uma tendência populacional e estabelecer uma indicação médica individual.

Uma cirurgia ser a mais realizada no mundo não significa que ela seja indicada para todas as pessoas.

Uma cirurgia frequente não é uma cirurgia banal

Mais de 2,4 milhões de procedimentos realizados em um ano podem criar a impressão de que a blefaroplastia se tornou algo simples ou trivial.

Ela continua sendo uma cirurgia.

A região ao redor dos olhos reúne estruturas delicadas e importantes. Por isso, a segurança depende não apenas da técnica utilizada, mas de todo o processo: avaliação clínica, conhecimento anatômico, planejamento cirúrgico e anestésico, ambiente adequado e acompanhamento pós-operatório.

Na minha prática, tenho preferência por realizar a blefaroplastia em ambiente hospitalar, com anestesista e estrutura adequada para o procedimento.

É uma escolha baseada na maneira como entendo segurança em cirurgia: mesmo quando esperamos uma evolução tranquila, precisamos estar preparados também para aquilo que não estava previsto.

O cuidado não termina quando a cirurgia termina.

Orientações pós-operatórias, compressas geladas, acompanhamento da evolução e disponibilidade para avaliar o paciente caso surja alguma dúvida ou intercorrência também fazem parte do tratamento.

Naturalidade não significa simplesmente “tirar menos”

Quando falamos em resultados naturais, existe uma tendência de associar naturalidade à realização de uma cirurgia menor.

Não necessariamente.

Naturalidade está muito mais relacionada a respeitar anatomia, proporções e identidade.

O objetivo não deveria ser criar um novo olhar.

Deveria ser tratar aquilo que está envelhecendo ou causando desconforto preservando as características que fazem aquele olhar pertencer àquela pessoa.

Às vezes isso significa retirar pele. Em outros pacientes, pode envolver tratamento das bolsas ou uma análise mais ampla da posição das sobrancelhas.

E algumas vezes a melhor decisão pode ser não operar naquele momento.

O que perguntar antes de fazer uma blefaroplastia?

Além de entender o resultado esperado, considero importante que o paciente saiba como sua cirurgia foi planejada.

Algumas perguntas são úteis:

  • O problema está realmente nas pálpebras ou a posição das sobrancelhas também interfere?
  • Será necessário tratar as pálpebras superiores, inferiores ou ambas?
  • Como será realizada a anestesia?
  • Onde a cirurgia será realizada?
  • Como será o acompanhamento depois do procedimento?
  • Quais resultados podem ser realisticamente esperados?
  • Quais são os riscos e limitações da cirurgia?

Uma consulta de cirurgia plástica não deveria servir apenas para decidir como operar, mas também para determinar se existe indicação para operar.

O que o primeiro lugar no ranking realmente significa?

O fato de a blefaroplastia ter se tornado a cirurgia estética mais realizada no mundo é uma informação interessante.

Mas acredito que existe uma mensagem ainda mais importante por trás desse número.

Quanto mais popular se torna uma cirurgia, maior deve ser nossa responsabilidade em oferecer informação de qualidade sobre ela.

A evolução das técnicas, da anestesia, da monitorização e da tecnologia continuará trazendo novas possibilidades.

Mas alguns princípios permanecem.

Boa indicação. Planejamento individualizado. Segurança. Acompanhamento. E respeito à identidade de cada paciente.

Porque, no final, uma boa blefaroplastia não deveria fazer alguém parecer outra pessoa.

Deveria permitir que aquela pessoa continue se reconhecendo no espelho — com um olhar mais leve, descansado e natural.

Fonte dos dados estatísticos: ISAPS Global Survey on Aesthetic/Cosmetic Procedures Performed in 2025, divulgado em setembro de 2026.

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