Quando alguém procura tratamento de rugas ou deseja compreender melhor o próprio envelhecimento facial, uma das primeiras perguntas costuma ser: qual procedimento devo fazer?
Na minha avaliação, prefiro começar por outra pergunta:
O que está causando aquilo que incomoda esse paciente?
Uma ruga pode estar relacionada à contração muscular, mas o envelhecimento da face envolve muito mais do que rugas. Alterações da qualidade da pele, perda ou redistribuição dos volumes, mudanças nas estruturas de sustentação, flacidez e excesso de pele podem ocorrer simultaneamente e em intensidades diferentes.
Por isso, toxina botulínica, preenchimento com ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno não são diferentes maneiras de fazer a mesma coisa. Cada recurso atua sobre componentes distintos e deve ser escolhido a partir do diagnóstico.
Também tenho observado uma mudança interessante na maneira como muitas pessoas encaram esse processo. Pacientes cada vez mais jovens procuram compreender como sua face está envelhecendo e o que podem fazer ao longo do tempo, em vez de esperar que todas as alterações estejam estabelecidas para então procurar uma solução.
Essa mudança permite discutir um conceito que considero mais adequado: gerenciamento do envelhecimento facial.
Gerenciar não significa começar procedimentos cada vez mais cedo nem acumular tratamentos. Significa acompanhar as mudanças da face, compreender suas causas e decidir se existe indicação para intervir, quando intervir e, igualmente importante, quando não fazer nada.
O envelhecimento facial ocorre em diferentes planos.
A pele sofre alterações de textura, elasticidade e qualidade. Os compartimentos de gordura podem perder volume ou mudar de posição. Ligamentos e outras estruturas de sustentação também se modificam. Alterações ósseas participam desse processo, enquanto a atividade repetitiva dos músculos contribui para determinadas linhas de expressão.
Por isso, duas pessoas da mesma idade podem apresentar necessidades completamente diferentes.
Tratar o envelhecimento facial não significa simplesmente retirar rugas ou acrescentar volume. Significa compreender quais estruturas mudaram e quais delas realmente precisam ser tratadas.
Por isso, o tratamento de rugas não deveria começar pela escolha de um produto ou de uma técnica. Primeiro precisamos identificar quais componentes do envelhecimento estão produzindo aquilo que incomoda cada paciente.
Cada vez mais, pessoas mais jovens procuram compreender as mudanças da própria face antes que elas se tornem mais evidentes.
Considero essa uma oportunidade interessante, desde que não transformemos prevenção em excesso de tratamento.
Gerenciar o envelhecimento facial não significa tentar impedir que uma pessoa envelheça. Também não significa iniciar toxina botulínica, preenchimentos ou bioestimuladores simplesmente porque determinada idade foi atingida.
Significa acompanhar.
Em alguns momentos, pode existir indicação para tratar determinada atividade muscular. Em outros, características da pele podem merecer atenção. Mudanças específicas de volume podem aparecer posteriormente. E existem situações em que a melhor conduta continua sendo apenas observar.
O objetivo não deveria ser fazer o maior número possível de procedimentos antes de uma eventual cirurgia.
Ao contrário:
um bom gerenciamento do envelhecimento facial deve procurar evitar tanto o tratamento insuficiente quanto o excesso de tratamento.
A toxina botulínica pode ser utilizada para reduzir temporariamente a atividade de determinados músculos quando existe indicação.
Linhas da testa, região entre as sobrancelhas e pés de galinha são exemplos conhecidos, mas mesmo nessas áreas o planejamento precisa ser individualizado.
Isso acontece porque os músculos da face não trabalham isoladamente.
Na testa, por exemplo, o músculo frontal participa não apenas da formação das linhas horizontais, mas também da posição das sobrancelhas. Reduzir excessivamente sua atividade pode modificar esse equilíbrio.
Por isso, mais toxina não significa necessariamente um resultado melhor.
Meu objetivo não é eliminar toda movimentação. Procuro compreender quais músculos participam daquilo que incomoda o paciente e quanto de sua atividade faz sentido modificar.
Naturalidade não depende de eliminar todas as rugas. Depende também de preservar movimento, proporções e características individuais.
O ácido hialurônico possui uma função diferente da toxina botulínica.
Os preenchedores podem ser utilizados, em situações selecionadas, para modificar contornos, tratar determinadas depressões, melhorar proporções ou acrescentar volume em regiões específicas.
Entretanto, existe um princípio que considero especialmente importante:
nem toda face que envelhece precisa de mais volume.
Uma depressão ou um sulco não significam automaticamente que aquela região precise ser preenchida.
Antes de indicar um preenchimento, procuro avaliar por que aquela alteração apareceu, onde realmente existe necessidade de volume, qual é o objetivo da intervenção e como ela poderá interferir nas proporções do restante da face.
Às vezes, a decisão pode ser preencher pouco. Em outras situações, pode ser não preencher.
Esse é um ponto particularmente importante quando discutimos envelhecimento facial.
Com o passar dos anos, algumas pessoas apresentam flacidez, deslocamento dos tecidos e excesso de pele. Nessas situações, acrescentar progressivamente maiores volumes de preenchimento na tentativa de produzir sustentação ou um efeito semelhante ao de “esticar” a face pode modificar suas proporções sem tratar diretamente o componente anatômico responsável pelo problema.
Volume e excesso de pele são problemas diferentes.
O preenchimento pode ter indicação para determinadas alterações de volume e contorno. Entretanto, quando o problema predominante é flacidez estrutural ou excesso de pele, precisamos reconhecer os limites dos procedimentos minimamente invasivos.
Isso não significa que todo paciente com flacidez precise de cirurgia. Significa que o diagnóstico deve preceder a escolha do tratamento.
Quando existe indicação cirúrgica, procedimentos como blefaroplastia ou lifting facial podem entrar na discussão.
O objetivo não deveria ser evitar uma cirurgia a qualquer custo, nem indicá-la precocemente. Deve ser escolher a estratégia proporcional ao problema encontrado.
Os bioestimuladores de colágeno constituem outra categoria de tratamento.
Em vez de atuar principalmente sobre movimento muscular ou produzir preenchimento direto de determinada região, esses produtos são utilizados com o objetivo de estimular uma resposta do próprio tecido relacionada à produção de colágeno.
A indicação depende de fatores como características da pele, região a ser tratada, anatomia e objetivo do paciente.
Também aqui é importante manter expectativas realistas.
Bioestimulação não interrompe o envelhecimento, não substitui automaticamente outros tratamentos e não produz o mesmo efeito de uma cirurgia quando existe flacidez estrutural significativa ou excesso de pele.
Portanto, novamente precisamos separar mecanismo de expectativa.
Nenhum deles é universalmente melhor.
Essa talvez seja uma das informações mais importantes para quem pesquisa tratamento de rugas e rejuvenescimento facial.
A toxina botulínica atua sobre determinados componentes relacionados à atividade muscular. O ácido hialurônico pode ser utilizado para objetivos específicos relacionados a volume, depressões e contorno. Os bioestimuladores procuram estimular uma resposta do tecido relacionada à produção de colágeno.
Portanto, a pergunta não deveria ser:
“Qual é o melhor procedimento?”
Mas:
“Qual é o problema que precisamos tratar?”
É o diagnóstico que deve determinar a ferramenta — e não a ferramenta determinar o tratamento.
Não.
Combinar procedimentos não é necessariamente melhor do que realizar apenas um.
Em alguns pacientes, uma associação pode fazer sentido porque existem diferentes componentes do envelhecimento a serem abordados. Em outros, um único tratamento pode ser suficiente. E existem situações nas quais nenhum desses procedimentos é a melhor indicação naquele momento.
Mais procedimentos não significam necessariamente mais naturalidade ou um resultado mais adequado.
O planejamento deve buscar o necessário, e não o máximo possível.
Esse princípio torna-se ainda mais importante quando pensamos em gerenciamento do envelhecimento ao longo de muitos anos.
Se cada nova alteração for tratada automaticamente acrescentando produtos ou procedimentos, existe o risco de progressivamente modificarmos características que inicialmente pretendíamos preservar.
Essa é uma pergunta frequente e merece uma resposta cuidadosa.
Não considero adequado prometer que procedimentos minimamente invasivos evitarão uma cirurgia futura.
O envelhecimento continua acontecendo e cada pessoa apresenta características anatômicas, genéticas e ambientais diferentes.
Por outro lado, acompanhar a face ao longo do tempo permite identificar mudanças e discutir estratégias proporcionais a cada momento.
Em algumas pessoas, tratamentos não cirúrgicos podem atender aos objetivos durante muitos anos. Outras poderão desenvolver alterações estruturais para as quais uma cirurgia passa a representar uma possibilidade a ser discutida.
Portanto, o objetivo do gerenciamento não deveria ser simplesmente “adiar uma cirurgia”.
Deveria ser evitar intervenções desnecessárias e escolher, em cada etapa, aquilo que possui indicação.
Se uma cirurgia nunca for necessária, melhor. Se em determinado momento ela passar a oferecer uma resposta mais coerente para o problema encontrado, essa possibilidade deve poder ser discutida com clareza.
Toxina botulínica, ácido hialurônico e bioestimuladores possuem indicações e limitações.
Quando existem alterações estruturais mais importantes — como determinadas formas de flacidez facial e cervical, excesso de pele ou mudanças de posição dos tecidos — insistir exclusivamente em procedimentos não cirúrgicos pode não oferecer uma resposta compatível com o problema anatômico.
É justamente nesse momento que considero importante separar duas ideias:
postergar uma cirurgia quando ela ainda não é necessária é diferente de tentar substituir uma cirurgia já indicada acumulando procedimentos não cirúrgicos.
Em determinadas situações, a discussão pode incluir alternativas cirúrgicas, como blefaroplastia ou lifting facial.
Saber quando realizar um procedimento é importante. Saber quando ele não é suficiente também faz parte do diagnóstico.
Não considero adequado definir sucesso como uma face completamente lisa ou sem sinais do tempo.
Expressões, proporções, movimento e características individuais também fazem parte da identidade de cada pessoa.
Por isso, meu planejamento procura compreender o que pode ser suavizado sem transformar desnecessariamente aquilo que caracteriza aquele rosto.
Para alguns pacientes, isso pode significar suavizar determinadas linhas. Para outros, tratar discretamente um volume, um contorno ou características da pele.
E existem momentos em que preservar é mais importante do que acrescentar.
Naturalidade também significa saber onde parar.
O fato de não existir uma cirurgia não significa que um procedimento seja isento de riscos.
Toxina botulínica, preenchedores e bioestimuladores podem apresentar efeitos adversos e complicações. A natureza e a gravidade desses eventos variam conforme o produto, a região tratada, a técnica, a anatomia e outras características individuais.
Por isso, a avaliação não deve considerar apenas como realizar um procedimento. Precisamos considerar indicação, contraindicações, anatomia, possíveis complicações e como conduzi-las caso ocorram.
Segurança começa antes da aplicação.
Uma aplicação pode levar poucos minutos. Entretanto, o raciocínio que antecede o procedimento envolve diagnóstico, conhecimento anatômico, planejamento e reconhecimento de possíveis complicações.
Minha formação médica e cirúrgica influencia a maneira como avalio também os procedimentos minimamente invasivos.
Como cirurgião plástico, analiso a face considerando a relação entre pele, músculos, compartimentos de gordura, estruturas de sustentação, vasos, nervos e esqueleto facial.
Essa visão tridimensional é particularmente importante porque aquilo que enxergamos na superfície nem sempre corresponde à estrutura responsável pela alteração.
E existe outra dimensão que considero fundamental: estar preparado não apenas para realizar um procedimento, mas para reconhecer quando algo não está evoluindo como deveria.
Essa é uma pergunta que considero importante antes de qualquer procedimento estético:
“Se algo não evoluir como esperado, quem estará preparado para reconhecer o problema, estabelecer o diagnóstico e iniciar a conduta necessária?”
Complicações são possíveis mesmo quando existe indicação e o procedimento é realizado adequadamente.
Por isso, minha responsabilidade com o paciente não termina depois da aplicação. Ela inclui acompanhamento, reconhecimento de alterações e definição da conduta médica necessária caso ocorra uma intercorrência.
O procedimento pode ser rápido. A responsabilidade sobre ele não termina quando a aplicação acaba.
O cuidado envolvido em um tratamento não se resume ao produto aplicado ou ao número de seringas ou unidades utilizadas. Inclui o conhecimento empregado para decidir se existe indicação, onde tratar, quanto utilizar e como acompanhar o paciente.
Primeiro procuro compreender o que incomoda o paciente.
Depois, avalio a face em repouso e em movimento, a qualidade da pele, a atividade muscular, os volumes, as proporções, a presença de flacidez ou excesso de pele e as estruturas que podem estar relacionadas àquela queixa.
Somente então discutimos possibilidades.
Em determinados casos pode existir indicação de toxina botulínica. Em outros, ácido hialurônico ou bioestimuladores de colágeno. Algumas situações podem justificar associações. Outras podem levar à discussão de uma alternativa cirúrgica.
E há uma possibilidade que precisa continuar existindo em medicina:
não realizar nenhum procedimento naquele momento.
Por isso, quando penso em tratamento de rugas, meu objetivo não é construir um protocolo baseado apenas na idade do paciente.
Procuro compreender quais estruturas estão mudando, o que realmente precisa ser tratado e, igualmente importante, o que ainda não precisa de intervenção.
Para mim, gerenciar o envelhecimento facial não significa perseguir uma aparência permanentemente jovem.
Significa compreender que a face continuará mudando e acompanhar essas mudanças de maneira individualizada.
Isso permite tomar decisões progressivamente, evitando tanto a negligência quanto o excesso.
Uma pessoa mais jovem pode procurar orientação antes de precisar de qualquer procedimento. Outra pode apresentar uma indicação específica. Com o passar dos anos, as necessidades podem mudar.
O planejamento também precisa mudar.
O que considero importante é não transformar o envelhecimento em uma sequência automática de aplicações.
Não devemos tratar a idade. Devemos compreender a anatomia, a queixa e aquilo que mudou.
Tecnologias, produtos e técnicas continuarão evoluindo. Alguns princípios, entretanto, permanecem: diagnóstico antes do tratamento, indicação individualizada, conhecimento anatômico, segurança, proporcionalidade e respeito às características de cada pessoa.
Depende da causa da ruga e das demais alterações da face. Rugas relacionadas à atividade muscular, alterações de volume, características da pele, flacidez e excesso cutâneo representam problemas diferentes e podem exigir estratégias diferentes.
Não. A toxina botulínica pode ser utilizada quando existe indicação relacionada à atividade de determinados músculos. Nem toda ruga possui o mesmo mecanismo.
O ácido hialurônico pode ser utilizado para determinados objetivos relacionados a volume, depressões e contorno. Flacidez e excesso de pele precisam ser avaliados separadamente, e acrescentar volume não equivale a retirar excesso cutâneo.
Não considero adequado prometer que preenchimentos evitarão uma cirurgia futura. Quando o problema predominante é excesso de pele ou flacidez estrutural significativa, aumentar progressivamente o volume pode não tratar a causa da alteração.
Podem procurar avaliação e orientação. Isso não significa que devam necessariamente realizar procedimentos. O acompanhamento pode ajudar a compreender as mudanças da face e decidir se existe ou não indicação de tratamento em cada momento.
Nenhum procedimento impede o envelhecimento. A proposta de acompanhamento ao longo do tempo é reconhecer alterações e discutir intervenções quando houver indicação, e não criar um protocolo obrigatório baseado na idade.
Não. Eles possuem mecanismos e objetivos diferentes. A escolha depende do diagnóstico e das estruturas que se pretende tratar.
Não. Algumas pessoas podem ter indicação de associação, outras de apenas um tratamento e algumas podem não precisar de nenhum procedimento naquele momento.
A possibilidade pode ser discutida quando alterações como excesso de pele, flacidez ou mudança de posição dos tecidos não são adequadamente abordadas por procedimentos não cirúrgicos. A indicação depende da avaliação individual.
Sim. Embora não sejam cirurgias, toxina botulínica, preenchedores e bioestimuladores podem apresentar efeitos adversos e complicações. Por isso, indicação, anatomia, técnica e capacidade de reconhecer e conduzir intercorrências fazem parte do planejamento.
Conteúdo médico por Dr. Leonardo Aguiar
Cirurgião Plástico — CRM-SC 9847 | RQE 8345
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.